Moisés Patrício nasceu em 1984, em São Paulo, cidade onde vive. É artista visual, fotógrafo e sacerdote de tradição afro-brasileira. Sua trajetória é marcada pela interseção entre arte, espiritualidade e identidade negra. Transita entre pintura, fotografia, performance e instalações, trazendo a ancestralidade e a cultura de terreiro como fundamentos de sua prática.
Sua atuação ultrapassa os limites do terreiro, promovendo diálogos entre arte, filosofia e religiosidade. Integra o Conselho de Orientação Artística da Pinacoteca de São Paulo. E participou da Bienal de Dakar (Senegal), e de mostras no MASP e no Museu Afro Brasil (São Paulo) e no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (Rio de Janeiro).

E tivemos a grande honra em conversar com Moisés Patrício sobre a sua participação na 36a Bienal de São Paulo, que reunirá 120 artistas Pavilhão da Bienal e mais 5 na Casa do Povo, propondo uma reflexão urgente sobre humanidade, natureza e escuta. Sobre isso, o artista nos conta:
“Estar na Bienal de São Paulo é um marco, sim, mas não apenas pessoal. É a confirmação de que os saberes dos terreiros, a estética negra e as tecnologias de cura ancestral também constroem o pensamento contemporâneo”. –Moisés Patrício
Moisés Patrício representa uma visão transformadora e engajada da arte contemporânea afro‑brasileira com suas raízes. Com uma linguagem transdisciplinar – que atravessa performance, ritualística, fotografia e instalação – ele posiciona o sagrado, a ancestralidade e a resistência brasileira em destaque estratégico no cenário cultural nacional e internacional. E reflete sobre a sua presença na Bienal deste ano:
“Minha presença ali, como artista e Bàbálorixá, é uma forma de dizer que o Brasil profundo resiste, reinventa e planta beleza onde quiseram deixar ausência”. –Moisés Patrício
A obra de Moisés Patrício transcende o campo da estética: ela é um instrumento de reintegração simbólica, um manifesto visual de resistência e reencantamento do mundo. Ao mergulhar em sua produção, revelam-se camadas profundas de identidade, espiritualidade e política, que podemos decodificar a partir de alguns eixos estratégicos:
“Com as obras que apresento, invoco a memória, o corpo, o barro, o silêncio, a encruzilhada. Trago Mestre Didi comigo, trago a força de Exu, trago o direito de sonhar com um país onde a arte é também reza, também gesto político, também oferenda. Eu não fui para a Bienal. Foi o terreiro que chegou lá comigo.” –Moisés Patrício
A obra de Moisés Patrício nos revela que a arte pode, e deve, ser um dispositivo de reintegração da dignidade histórica, que nos convida não apenas a contemplar, mas a nos reposicionar. Seus trabalhos são, ao mesmo tempo, escudos, espelhos e tambores: protegem, refletem e convocam.
Moisés Patrício (1984, São Paulo. Lives in São Paulo) is a visual artist, photographer, and priest of Afro-Brazilian tradition. His trajectory is marked by the intersection of art, spirituality, and Black identity. His work moves between painting, photography, performance, and installations, bringing ancestry and the culture from the terreiro (space of worship and community in Afro-Brazilian religious traditions), as foundations of his practice. His activities go beyond the limits of the terreiro, fostering dialogues between art, philosophy, and spirituality. He is a member of the Artistic Advisory Board of the Pinacoteca de São Paulo. He has participated in the Dakar Biennale (Senegal), and in exhibitions at MASP and Museu Afro Brasil (São Paulo), and Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (Rio de Janeiro), among others.